
Como a poesia pode inspirar a arquitetura e vice-versa?
Arquitetura e poesia são duas expressões artísticas milenares enraizadas em diferentes culturas. Tanto a arquitetura quanto a poesia, cada uma com suas peculiaridades, possuem uma essência específica de um lugar ou época.
Entretanto, algumas pessoas podem alegar que essas duas formas de arte são extremamente diferentes entre si. Ou pior: que elas não têm nada de semelhante entre si.

A poesia não apenas é influenciada pelas experiências e locais que os artistas visitam, mas também é uma forma de arte presente em todos os edifícios que habitamos ou conhecemos. Seja em estrutura, equilíbrio, forma ou beleza – as semelhanças entre a arquitetura e a poesia vão além do óbvio.
Afinal, todos esses locais possuem histórias. Histórias das pessoas envolvidas na idealização, projeção e construção dessas edificações. Vivências das pessoas que lá habitaram, trabalharam ou simplesmente o visitaram por alguns instantes. E, claro, os relatos contados sobre acontecimentos que se deram dentro ou nas redondezas de cada um desses projetos. Contos que muitas vezes, são passados de geração em geração.
O encontro da poesia com a arquitetura
Essas expressões artísticas estão tão intrinsecamente ligadas que alguns dos maiores nomes da poesia e da arquitetura se aventuravam e experimentavam com a arte que menos dominavam.
Michelangelo
Indubitavelmente um dos maiores nomes de toda a história da arte, Michelangelo é conhecido por suas esculturas, pinturas e obras arquitetônicas durante o auge do Renascimento italiano.
Você talvez esteja familiarizado com a escultura de David ou a Pietà, além d'A Criação de Adão e o teto da Capela Sistina. Porém, por vezes, Michelangelo se dedicava à poesia, cuja temática geralmente eram as suas frustrações amorosas.
Ele escreveu mais de trezentos sonetos e madrigais. Seu trabalho mais longo foi escrito para Tommaso dei Cavalieri, rendendo a primeira grande sequência de poemas em qualquer idioma moderno dirigida de um homem para outro. Além disso, Michelangelo antecedeu os sonetos de Shakespeare em cinquenta anos.
Thomas Hardy
Thomas Hardy foi um novelista e poeta inglês, conhecido pelo tom pessimista de suas obras, seja na prosa ou na poesia.
O que talvez seja menos disseminado sobre a carreira de Hardy é que ele treinou como arquiteto em Dorchester antes de se mudar para Londres, onde se matriculou como estudante no King's College London. Hardy ganhou prêmios de várias sociedades de arquitetura, como o Royal Institute of British Architects e a Architectural Association, antes de deixar Londres e a arquitetura para se concentrar na carreira de escritor.
3 obras arquitetônicas que contam histórias
Veja agora algumas obras da arquitetura que são poesia em forma física.
SuperAdobe
O SuperAdobe é, na verdade, um processo de construção em que sacos de polipropileno são preenchidos com solo argiloso e moldados no próprio local, criando uma estrutura em forma de cúpula unida por arame farpado.

Inventado por Nader Khalili, arquiteto iraniano, o SuperAdobe pode até possuir uma aparência simples, mas é forte o suficiente para resistir a enchentes, queimadas, terremotos e furacões. Além de garantir proteção tanto do frio quanto do calor extremo.
A inspiração para idealizar o SuperAdobe? Os trabalhos do poeta persa Rumi (1207 - 1273). Para tal, Nader Khalili mesclou a filosofia de Rumi sobre a natureza com os métodos de construção da arquitetura antiga do Oriente Médio.
Bibliotheca Alexandrina, Egito

Construída em 2002, a Bibliotheca Alexandrina – também conhecida como "a nova Biblioteca de Alexandria", é um complexo de edifícios de 80 mil metros quadrados, 11 andares e capacidade de armazenar até 4 milhões de livros. Além disso, pode abrigar 2 mil leitores ao mesmo tempo.
Como obra da arquitetura, o projeto é excepcional. A construção foi feita de forma inclinada, representando o Sol. Ademais, as paredes externas possuem gravuras dos 120 idiomas falados ao redor do mundo.
A Sagrada Família, Espanha

A Sagrada Família é uma dos projetos mais icônicos da arquitetura – e nós temos o privilégio de ver sua história ser escrita até hoje, quase 150 anos depois do início da sua construção.
Esta edificação é considerada por muitos críticos o magnum opus de Antoni Gaudí, arquiteto catalão. A previsão de finalização da construção é de 2026, e estima-se que o templo terá capacidade para 9.000 pessoas dentro dos seus 4.500 metros quadrados. Além disso, ela terá em totalidade 18 torres e um interior inovador, repleto de arabescos e abóbadas.
Para conhecer ainda mais obras da arquitetura que contam poesia em suas aparências, confira mais publicações em nosso blog.